Vamos falar sobre aborto?

Tenho 25 anos e já tive 3 meses! Você com certeza se deparou com essa frase nas suas redes sociais durante essa última semana. Eu pensei muito antes de falar disso aqui no blog, pois tenho uma visão um pouco diferente dos outros e não quero de maneira nenhuma escandalizar a outros, mas sinceramente, tem certas coisas que me deixam revoltadas e vou explicar o motivo para vocês!!

A maioria das pessoas que postaram essa frase foram cristãos e eu não discuto o pensamento e a opinião deles, de forma alguma… Cada um tem o direito de pensar e expor isso livremente, mas o que não cabe é o julgamento sobre outras pessoas. Legal, você já teve 3 meses e agradece a sua mãe por não ter te abortado. Massa! Mas quem é você para dizer que uma outra mulher não deve abortar? Eu sou cristã, porém não me acho apta a julgar uma mulher por ela ter feito/ou querer fazer um aborto, essa mulher com certeza teve mil motivos para fazer isso e penso que meu papel como cristã não é o de recriminar, ou de ainda ficar falando absurdos da política por em um caso terem permitido o aborto até 3 meses.

A questão do aborto envolve muito mais do que seu pensamento limitado. Segundo um estudo da Universidade de Brasília, uma em cada cinco brasileiras com idade reprodutiva de 35 a 39 anos já passaram por pelo menos um aborto voluntário, isso quer dizer que a maioria das mulheres nessa faixa etária que você conhece pode ter feito um aborto. Pensando assim, se houvesse leis e punições sobre o caso, a maioria das mulheres brasileiras já teriam tido passagem pela polícia!

Eu acho muito “engraçada” a opinião dos evangélicos em geral, porque afirmam ser um horror o aborto, por ser uma vida e tals… mas, que apoio que você dá aquela mãe? que apoio que você dá para crianças que estão abandonadas nos orfanatos? São vidas que precisam do mesmo jeito e que independente da sua opinião, abortos acontecem o tempo todo na vida real, onde está a igreja para influenciar e ajudar essas mulheres? Não importa se é legalizado ou não, isso é um problema que acontece independente da lei. O ginecologista Jefferson Drezett fala que “os recursos que gastamos para tratar as graves complicações do aborto clandestino são muito maiores que os recursos de que precisaríamos para atender as mulheres dentro de um ambiente seguro e minimamente ético e humanizado”. Disso entendemos que é um problema de saúde pública. Veja a opinião do Drauzio Varela aqui.

Você acha errado o aborto? Não o faça! Mas também não impeça quem quer fazer de ser amparada, acolhida e cuidada em sua decisão… Dizer “sim” não é apoiar a prática do aborto, mas significa não acrescentar à dor de ter de abortar, a humilhação e o sofrimento da penalização. É estar do lado das famílias menos favorecidas onde e quando houver a necessidade de recorrer ao aborto, com a decisão final da mulher.(Veja essa opinião sobre o aborto em Portugal.) Exercite seu amor e compaixão ao pensar numa mulher que vai ser obrigada a ter uma criança para o resto de sua vida, recebendo-a sem alegria, sem vontade… E outra coisa, encorajar a educação sexual e o uso de métodos anticoncepcionais não é desvirtuar a igreja, mas sim propor uma alternativa para quem não tem os padrões religiosos na vida.

Se você, é um cristão que tem esses pensamentos, por favor, leia e medite no meu texto com carinho. Vamos orar por uma geração com mais amor e menos preconceito, não me ataque por um pensamento diferente do seu, vamos conversar e ambos respeitar a opinião.

E sabem qual é a minha revolta? Aquela bancada evangélica na política! Gente, como é que pode ter alguém lá para “defender” os direitos de um grupo específico?  Como afirmar que vivemos em um país democrático/laico se há uma bancada governando para um grupo? Independente das opiniões pessoais de cada um, eles deveriam estar lá para legislar para o bem de todos, da comunidade em geral… aaff… isso me tira do sério!

Reformulando então a frase acima: tenho 25 anos, já tive 3 meses. Sou cristã e não me sinto ofendida caso não seja crime o aborto até os 3 meses, sinto mais vergonha por ter uma bancada evangélica no congresso totalmente hipócrita.

 

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